IGNEA arquitetos

O contexto

Casa de ferreiro, espeto de pau? A reestruturação de quem constrói o real.

A IGNEA Arquitetos enfrentava o paradoxo mais comum e cruel do nosso mercado: competência técnica indiscutível no canteiro de obras, mas invisibilidade no território digital. Sediado em Araraquara-SP, o escritório possui uma atuação sólida em projeto e gerenciamento de obras, mas sua presença online era um terreno baldio. O Instagram, sem direção visual, não refletia a qualidade do que era entregue no mundo físico.

Então o gatilho para a mudança foi estrutural: a entrada de um novo sócio trouxe a necessidade de reposicionar a marca. O objetivo era deixar de atender o “geral” para nichar em residenciais de médio e alto padrão. Porém, como vender sofisticação com uma “roupa” digital improvisada?

Além da estética e da construção digital, o também era de gestão de recursos. Tínhamos um orçamento enxuto, um prazo de implantação curto (cerca de 90 dias) e, o mais crítico, uma cultura tecnológica inexistente no escritório. Não adiantava projetar uma “catedral digital” complexa que eles não conseguissem manter. A missão era criar uma infraestrutura que transmitisse autoridade técnica e elegância, mas que fosse operável no dia a dia por uma equipe que entende de concreto, não de código.

O conceito

Da vibração do magma à solidez da rocha.

Comecei definindo o conceito central: “a natureza bruta da construção”. Além de redesenhar um logo, a ideia era traduzir a origem do nome ígnea — a rocha vulcânica — para uma experiência visual que transmitisse calor e firmeza simultaneamente.

A paleta de cores foi pensada como a escolha de materiais de acabamento em uma obra. Abandonei aquele laranja “marca-texto” genérico e busquei tons de lava, terracota e argila queimada. É a cor da terra e do fogo, trazendo a vibração necessária. Para o contraste, o preto profundo e tons de café trouxeram a densidade da rocha, enquanto o off-white entrou para dar respiro, clareza e luz aos espaços negativos.

Na tipografia, trabalhei com uma dualidade intencional. Fontes que transmitem a racionalidade cartesiana de quem gerencia orçamentos e cronogramas de obra, combinadas com um desenho mais sofisticado que apela ao cliente de alto padrão. É o equilíbrio entre o engenheiro calculista e o arquiteto artista.

A arquitetura do site foi pensada como um percurso fluido, sem barreiras. Ao invés de um site labiríntico, projetei uma estrutura One Page. Começamos com uma apresentação impactante da marca, seguida imediatamente pelos diferenciais (quem são e como pensam), prova social e, finalmente, a conversão. Tudo em uma única rolagem, respeitando o tempo do usuário e guiando o olhar dele como em um passeio arquitetônico.

O Processo

Quando comecei o trabalho, fiz uma imersão profunda no cenário deles. Analisei concorrentes locais e percebi um padrão: perfis genéricos, sem identidade, que não passavam a segurança técnica necessária. A IGNEA tinha a competência de gerenciamento de obras, mas a “fachada” digital não comunicava isso.

A identidade visual começou com o refinamento do símbolo. Mantive a estrutura quadrangular — que representa os quatro sócios e a lógica modular da construção —, mas ajustei os pesos e as proporções. É uma forma que sugere estabilidade, planta baixa, fundação. Não é um rabisco artístico abstrato; é um selo de qualidade técnica.

Depois veio a estratégia de autonomia. Entendi que um escritório de arquitetura com obra rolando não tem tempo de aprender softwares complexos. Por isso, criei a identidade no Figma para garantir a precisão do design, mas transportei e configurei todos os templates de social media no Canva. Criei um sistema visual onde eles apenas trocam a foto e o texto, e o post continua elegante. Isso é Service Design: pensar na rotina de quem vai usar a marca.

O wireframe do site foi desenhado pensando na conversão imediata. Passei horas definindo a hierarquia das informações: o que um cliente de alto padrão quer ver primeiro? Projetos? Segurança técnica? A resposta guiou a ordem das seções.

Quando entrei no desenvolvimento, usei Elementor Pro sobre uma infraestrutura otimizada. A ideia era criar algo visualmente rico, mas extremamente leve. Trabalhei com lazy loading e conversão de imagens para .webp e servidor com LiteSpeed. O site carrega instantaneamente, respeitando o usuário que está no 4G visitando o terreno da futura casa.

O desafio técnico mais interessante foi a burocracia do domínio. Orientei e acompanhei o registro do .arq.br. Pode parecer um detalhe, mas no nosso nicho, isso é um “crachá” de autoridade. Diferencia o profissional regulamentado pelo CAU do amador. Foi uma etapa burocrática, mas essencial para o posicionamento.

E teve um diferencial técnico que foi o “pulo do gato”: o uso de Inteligência Artificial para curadoria tipográfica. Como tínhamos restrição orçamentária para licenciamento de fontes exclusivas, usei IA para analisar métricas de fontes gratuitas que tivessem a mesma “altura-x” e legibilidade de fontes premium pagas. Conseguimos uma estética de marca de luxo com custo zero em licenciamento.

Os resultados

O resultado principal, aquele que realmente move o ponteiro, foi que o Ignea deixou de ser um escritório com uma presença digital tímida para se tornar uma marca com infraestrutura e voz própria. O site não é apenas um cartão de visitas online, mas também uma ferramenta de validação de autoridade. Clientes que chegam até lá encontram a mesma solidez que esperam da obra física.

Já a nova identidade rompeu a barreira da tela e foi para o mundo real, vestindo as placas de obra e a documentação oficial. O feedback dos sócios foi claro: a marca finalmente reflete a maturidade técnica que eles conquistaram. Eles deixaram de “pedir licença” no mercado para ocupar seu espaço com elegância e consistência.

COnsiderações finais

Construindo esse projeto, compreendi que a arquitetura e o web design bebem da mesma fonte: ambos são sobre criar espaços onde as pessoas se sintam seguras. A decisão de usar o nome “Ignea” como conceito central — a rocha vulcânica — foi o divisor de águas. Permitiu que a gente saísse do óbvio e trouxesse textura, calor e materialidade para um ambiente que costuma ser frio e impessoal.

A paleta de tons terrosos e vulcânicos funcionou exatamente como planejado. Ela comunica “mão na massa” e “pé no chão”, mas com a sofisticação necessária para atrair o cliente de alto padrão. É como quem diz: “nós entendemos de obra bruta, mas entregamos acabamento fino”. E essa é exatamente a mensagem que o novo sócio precisava passar.

A estratégia do site One Page também me ensinou muito sobre viabilidade. Muitas vezes, queremos construir a “catedral”, mas o cliente precisa de uma casa funcional para morar hoje. Entregar uma estrutura enxuta, rápida e performática foi um exercício de empatia e inteligência de negócio.

Mas o aprendizado principal foi este: arquitetura, no fundo, é sobre realizar sonhos de moradia. E o meu papel como Web Arquiteto foi construir a “casa digital” desses arquitetos, para que eles pudessem focar no que fazem de melhor: construir as casas reais.

O rebranding do Ignea foi além de uma atualização visual: construímos um alicerce digital sólido, onde a técnica encontra a estética. E no final das contas, é isso que importa: dar ao cliente as ferramentas para ele crescer com as próprias pernas, com clareza, autonomia e respeito à sua história.

Foto de Gabriel Nery Prata
Gabriel Nery Prata
Arquiteto urbanista, professor universitário, webdesigner e editor de vídeos.

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