O desenvolvimento começou na prancheta, de forma analógica, com lápis no papel. Como a maioria dos projetos na área da saúde, os primeiros croquis à mão nasceram um pouco presos aos vícios do mercado — flertando com a famigerada ideia de desenhar um dente. Mas, ao analisar o posicionamento que queríamos, percebi que isso a manteria na estaca zero.
Comecei a desconstruir a forma, limpando os excessos, até começar a brincar geometricamente com as iniciais da Camila Roberta (“C” e “R”). Testamos, iteramos e desenhamos incansavelmente. Avaliamos a espessura das linhas, o rigor dos traços uniformes e fugimos de qualquer gradiente datado. O resultado foi um monograma arquitetônico minimalista, onde o “C” abraça o “R” em uma proporção perfeita.
Na tipografia, a lógica foi a mesma: tentativa, erro e repertório. Rodamos testes com fontes arredondadas (como a Tsukimi e a Dongle) buscando amigabilidade, mas a leitura crítica mostrou que faltava o “peso clínico”. A solução foi pivotar e testar novamente até cravar a dupla Outfit e Mulish, que vestiram a marca com precisão cirúrgica e conforto de leitura.Para a paleta de cores, não houve intuição cega. Explorei exaustivamente as harmonias e combinações matemáticas através da ferramenta Adobe Color. A intenção era achar o ponto de intersecção exato entre o ambiente cirúrgico e o acolhimento, chegando aos tons documentados no manual: os off-whites, os cinzas frios e o toque de sofisticação do azul ardósia (Slate Blue).
Com a marca gráfica definida, fomos para a tangibilização. A criação dos mockups não foi delegada a geradores automáticos, mas sim construída “no braço” dentro do Photoshop. Explorei a fundo a lógica das máscaras de camada para aplicar o logotipo com perfeição nas texturas (como no papel de alta gramatura do cartão de visitas ou na porta de vidro jateado). Para fechar, utilizei o filtro do Camera Raw para uniformizar a luz, a temperatura e o grão de todas as cenas, garantindo uma unidade fotográfica de cinema.
O último grande desafio foi a Direção de Fotografia via Inteligência Artificial para o portfólio. E foi aí que a tecnologia testou nossos limites. Mesmo com prompts bem escritos e detalhados, a IA tentou empurrar os piores clichês da publicidade: gerou a dentista operando sem EPIs (um erro grotesco de biossegurança) e um paciente com um sorriso largo e falso no meio do procedimento. Mas intervimos manualmente (até mesmo com croquis feitos à mão para ajudar a IA a pensar um pouco. E a verdade clínica, finalmente, prevaleceu.
Toda essa jornada foi documentada em um Manual de Identidade Visual rigoroso, garantindo que o DNA da marca jamais seja diluído por terceiros.