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Efeito Pangaré: como seu site destrói sua credibilidade

Efeito Pangaré: como seu site destrói sua credibilidade

Efeito Pangaré: como seu site destrói sua credibilidade

Se você acompanhou o noticiário esta semana, deve ter visto a polêmica envolvendo a Go Up Entertainment, a produtora responsável pelo filme “Dark Horse” (aquela cinebiografia do ex-presidente condenado). Entre as cifras milionárias e as várias controvérsias da história, uma me chamou muita atenção como Web Arquiteto: O SITE DA PRODUTORA VIROU PAUTA DE JORNAL. Mas não foi por um design inovador ou uma experiência imersiva.

Foi porque o site era, no jargão técnico, uma “boneca”. Um template vazio, largado às moscas. Um projeto que tentou se vender como um puro-sangue misterioso, mas que na primeira olhada se revelou uma verdadeira fubangagem. Eis o que podemos chamar de Efeito Pangaré.

Entendendo o contexto

A jornalista Daniela Lima, no UOL, fez o favor de navegar ao vivo pela obra-prima:

“Você clica em ‘Serviços’? Nada acontece, feijoada. Clica em ‘Produção’, ‘Branding’, ‘Parcerias Estratégicas’? O vazio absoluto. Na seção ‘Veja nossas produções’, adivinhe? Não tem produção nenhuma!”

Mas a cereja do bolo é o endereço. A empresa, que oficialmente fica na Brasilândia (SP), tentou esboçar uma presença internacional e colocou no rodapé que possui uma sede nos Estados Unidos. Onde? Em “Los Angles”. Sim, Angles. Faltou orçamento até para o corretor ortográfico.

Aí você me diz: “Mas Gabriel, depois do vexame nacional, eles correram lá e atualizaram o site. Agora tá mais decente.”

Ah, sim, o desespero bateu. Eles correram para preencher as lacunas. Mas é aqui que a coisa fica interessante e entra o olhar de quem trabalha com arquitetura digital: tapar buraco não é construir fundação.

O site deixou de ser uma “boneca” vazia, é verdade. Mas virou um “puxadinho”: sabe aquela vibe de “Fiz rápido utilizando a IA do editor de imagens”? Pois é. Ainda há problemas evidentes de design, falhas na hierarquia de informação e uma falta crônica de intencionalidade. Eles resolveram a urgência de não passar vergonha em rede nacional com o “Los Angles”, mas ainda estão muito longe de transmitir a autoridade de quem vai gerir “a maior produção da história do cinema nacional”.

Terceirizando a própria vitrine

Ao acessar o novo site, tem um detalhe de arquitetura de informação que grita amadorismo: a seção de portfólio. Quando você quer ver as produções deles, o site simplesmente te chuta para fora e redireciona para links do IMDb. Não há uma página dedicada aos próprios projetos.

Como Web Arquiteto, eu digo: isso é um crime digital. Uma produtora de verdade cria páginas imersivas, hospeda seus próprios trailers, sinopses e galerias de fotos. Terceirizar o seu portfólio para um banco de dados externo é o mesmo que convidar um cliente para a sua loja e mandar ele olhar o catálogo na vitrine do vizinho. É suspeito, é preguiçoso e destrói qualquer retenção de atenção.

Um verdadeiro “GOUPE”

A vergonha, no entanto, não parou no site. Se você der um pulo no Instagram da produtora, a piada já vem pronta no próprio nome: Go Up Entertainment. Para os íntimos, um verdadeiro “GOUPE”.

Para uma empresa que se vende na bio com uma “visão global” e promete a maior produção do cinema nacional, os números são, no mínimo, cômicos. O perfil ostenta incríveis 48 seguidores, segue apenas 8 pessoas e tem exatas 7 publicações. Até um profissional liberal em início de carreira possui números mais instigantes. É o tipo de métrica que você espera de um perfil recém-criado para um trabalho de faculdade, não de uma gigante do audiovisual internacional. É o maior indício de um perfil fantasma.

A internet não perdoa

Muitos profissionais ainda tratam o site como um panfleto digital que você faz de qualquer jeito só para “ter um link na bio”. Compram um template, não preenchem as informações direito e acreditam que o cliente vai relevar a experiência tosca porque “o que importa é o produto final”.

A verdade crua é que o seu site é o seu aperto de mão digital. É a sua primeira impressão. Se você se apresenta em uma reunião de negócios com a roupa suja e rasgada, ninguém vai prestar atenção no que você tem a dizer.

Quando eu falo sobre ser um “Web Arquiteto”, é exatamente sobre isso. Ninguém constrói um prédio começando pelo telhado ou fazendo um puxadinho às pressas porque a fiscalização bateu na porta. Um projeto digital precisa de fundação, de estrutura, de intencionalidade. Cada botão que funciona, cada texto revisado, cada cor escolhida precisa estar ali por um motivo: guiar o usuário e construir confiança.

Se um visitante entrar em seu site e encontrar uma experiência confusa — ou pior, erros grotescos —, a mensagem subconsciente que ele recebe é: “se eles não têm cuidado nem com a própria apresentação, imagina com o meu projeto”.

A métrica de sucesso de um site não é só estar no ar. Mas a qualidade da percepção que ele gera e, principalmente, sobre respeito à inteligência de quem está do outro lado da tela.

A lição da semana

Por fim, antes de querer vender grandes promessas (ou filmes milionários), garanta que a sua casa digital está em ordem. Porque se a fundação for fraca, a estrutura desmorona na primeira pesquisa no Google e o site corre o risco de ficar famoso em rede nacional, mas não no bom sentido. E ninguém quer morar em “Los Angles” — muito menos apostar num pangaré maquiado.

Por fim, se for para apostar em algum Dark Horse de respeito, que seja este aqui:

Ou o cavalo preto de Madonna na Confessions tour.

Até a próxima!

Foto de Gabriel Nery Prata

Gabriel Nery Prata

Arquiteto urbanista, professor universitário, webdesigner e editor de vídeos.
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