
Sandro Menezes tinha 20 anos de experiência em advocacia trabalhista. Conhecia cada artigo da CLT como quem conhece a própria casa. Mas sua marca? Parecia ter saído de um catálogo dos anos 90. O desafio era transformá-lo em uma referência em advocacia humanizada, criando uma identidade visual sofisticada, um site que acolhesse de verdade e um vídeo que mostrasse o profissional por trás do processo.
Quando Sandro chegou até mim, ele tinha um problema que ninguém via, mas todo mundo sentia. Seu site era desatualizado, cheio de juridiquês pesado. O logotipo era aquele genérico com a balança — você sabe, aquele que parece com o de 500 outros advogados. Não havia presença digital estratégica. E pior: a comunicação afastava mais do que aproximava.
O diagnóstico era claro: Sandro não precisava de mais “doutor” na frente do nome. Precisava de uma marca que conversasse com pessoas, não com processos. Porque quem procura um advogado trabalhista não está em seu melhor momento. Está assustado, vulnerável, muitas vezes desempregado ou sendo explorado. Essa pessoa não busca um “doutor” — busca um aliado.
O objetivo era criar uma identidade que unisse seriedade jurídica com acolhimento humano, posicionando Sandro como o advogado que entende a dor do cliente antes de citar o artigo da lei.

Para tirar o Sandro desse cenário e construir essa nova autoridade, projetei uma solução 360º materializada em três entregas fundamentais: um website completo e responsivo, focado em converter visitantes em clientes; um vídeo institucional humanizado, para quebrar a barreira do “doutor” e apresentar o aliado; e um manual de marca, documentando toda a nova identidade visual do escritório. Com o escopo definido, o próximo passo foi desenhar o conceito que sustentaria cada tijolo dessa construção.
Comecei definindo o conceito central: o Sandro é um profissional que protege seus clientes, ataca quando necessário e quer garantir a vitória da parte mais fraca. Por isso, a ideia de um escudo. Além de um website bonito, o foco foi construir uma experiência digital onde o trabalhador se sentisse seguro, ouvido e orientado desde o primeiro clique.
A paleta de cores foi pensada como a fundação de um projeto arquitetônico. Azul escuro para confiança, expertise e seriedade — é a cor que diz “você está em boas mãos”. Tons de bronze e ouro para valor, qualidade e sofisticação — aquele toque que diferencia. E off-white para clareza, espaço e organização — porque um bom projeto respira.
Na tipografia, escolhi a família Libre Caslon para títulos — uma fonte serifada que traz autoridade com elegância, aquela sensação de tradição sem parecer velha. E Manrope para o corpo de texto — limpa, moderna, que garante legibilidade sem sacrificar a sofisticação.

Quando comecei o trabalho, fiz uma imersão profunda. Analisei concorrentes — todos iguais, todos genéricos — e conversei com trabalhadores que tinham procurado advogados. O padrão era sempre o mesmo: medo de não ser ouvido, de não entender o processo, de ser só mais um número em uma pilha de processos.
A identidade visual começou com o logotipo. Criei um monograma arquitetônico que une as iniciais S e M de forma que também lembrasse um escudo. É minimalista, mas carrega significado: solidez e proteção. Não é aquela balança genérica que todo advogado usa. É algo que diz “aqui você está protegido”.
Depois veio o sistema de ícones. Desenvolvi sete ícones minimalistas — quatro para as áreas de atuação, três para contato — que fogem completamente dos clichês jurídicos. Um capacete de segurança com um coração no centro para representar saúde no trabalho. Uma balança perfeitamente equilibrada com um relógio de um lado e uma moeda do outro para representar jornada e remuneração. Cada ícone conta uma história visual sem precisar de palavras.
O wireframe foi onde comecei a desenhar o fluxo real. Passei horas pensando em como um trabalhador assustado navegaria pelo site. Onde ele clicaria? O que o faria se sentir seguro? Como garantir que ele nunca se perdesse? Cada seção foi pensada para responder uma pergunta que ele tinha na cabeça.
Quando entrei no design e desenvolvimento, usei Figma para prototipagem e Elementor Pro para o site final. A ideia era criar algo responsivo, otimizado para conversão, mas que não parecesse “vendedor”. Microinterações sutis que humanizam a experiência — um hover que muda de cor, uma transição suave entre seções, um quiz que se adapta conforme as respostas do usuário.
O vídeo institucional foi talvez a parte mais importante. Produzi um vídeo de 2 minutos e meio onde Sandro fala como humano, não como advogado. Sem aquele tom pomposo, sem aquela distância que a advocacia tradicional cria. Ele fala sobre sua trajetória, sobre por que faz o que faz, sobre o compromisso com quem procura ajuda. O tom é firme, mas acolhedor. Profissional, mas genuíno.
Depois vieram os materiais complementares. Manual de marca com 20+ páginas documentando cada decisão visual. Mockups de cartão de visitas em papel de alta gramatura, papelaria institucional, um outdoor para a região onde Sandro atua. Tudo coerente, tudo falando a mesma linguagem.
O desafio técnico mais interessante foi criar um quiz condicional no Elementor que realmente funcionasse. A maioria dos plugins para isso é pesada ou complicada. Consegui resolver usando a lógica condicional nativa do Elementor, criando mensagens personalizadas para cada perfil de usuário. Quando alguém responde “fui demitido”, ele vê uma mensagem diferente de quem responde “sofro assédio”. Simples, mas eficaz.
O resultado principal, aquele que realmente importa, foi que Sandro deixou de ser “mais um advogado trabalhista” para se tornar uma marca reconhecida por sua abordagem humana e estratégica. O site não é só bonito — é funcional, acolhedor e converte. Trabalhadores que chegam até lá se sentem compreendidos. E é isso que faz a diferença.
Construindo esse projeto, aprendi compreendi algumas situações de comunicação que vão além de design. Trabalhadores em situação vulnerável deveriam se sentir vistos desde o primeiro clique. Não é um formulário genérico pedindo nome e telefone, mas uma conversa num tom de “eu entendo o que você está passando”.
O grupo de cores transmitiu confiança sem parecer corporativo demais, sofisticação sem parecer inacessível. Como quem diz “seu investimento é um pouco elevado, mas você estará em boas mãos”. E é exatamente a mensagem que Sandro queria passar.
O vídeo humanizado quebrou a barreira “advogado vs. cliente” que tanto atrapalha no setor jurídico. Quando as pessoas veem Sandro falando como gente, não como máquina de processos, a conexão acontece.
Mas o aprendizado principal foi este: direito trabalhista, no fundo, é sobre proteger pessoas e suas histórias. E o design, quando bem aplicado, busca criar pontes. O caso do Sandro me mostrou que é possível unir rigor jurídico com acolhimento humano através de uma identidade visual bem arquitetada.
Seu rebranding foi para além de um simples “redesign de logo”: construímos um espaço digital onde trabalhadores encontram um advogado e um aliado ao mesmo tempo. E no final das contas, é isso que importa: conectar quem precisa de ajuda com quem pode ajudar: com clareza e respeito.

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