O processo de desenvolvimento foi organizado como uma experiência interdisciplinar.
A base constitui em estética, narrativa, clareza e espacialidade. A construção do projeto aconteceu em camadas, cada uma reforçando a anterior.
1. Construção da persona e do universo
A primeira etapa foi definir quem é Renato Sales e qual é sua lógica de mundo. Essa definição foi essencial porque, no lugar de partir de um serviço ou de uma oferta, o projeto parte de uma presença.
Renato é concebido como um arquiteto de postura rigorosa, sofisticação discreta e autoridade silenciosa. Sua imagem, seus gestos, sua roupa e sua relação com o espaço foram pensados como extensões de uma filosofia arquitetônica. Trata-se da espinha dorsal do projeto.
2. Tradução da filosofia em linguagem visual
A partir da persona, o desafio passou a ser converter essa filosofia em linguagem visual. Escolhemos as cores, materialidade, luz, cenografia e composição.
O vermelho carmesim, os contrastes com preto e concreto, o uso de fumaça, vidro canelado, mármore, resina âmbar e metal negro fazem parte de uma gramática visual que comunica tensão, profundidade e elegância, bastante presente em sua arquitetura. O projeto foi desenhado para que a estética ilustrasse uma ideia e que a incorporasse.
3. Os quatro espaços como narrativa
Cada projeto arquitetônico foi concebido como um capítulo da mesma história.
- Pavilhão Nebulare: abre a narrativa com mistério, imersão e estranhamento. A arquitetura aqui é quase etérea, com uma presença que parece surgir da fumaça.
- ARCKHE Store: desloca a narrativa para a materialidade sensorial. Concreto, mármore e latão criam uma experiência de austeridade luxuosa.
- Passarela Fammings: introduz o conflito e a intervenção. A ruína industrial é tensionada por uma passarela e por uma alfaiataria que confronta o espaço.
- Galeria Âmbar: encerra a jornada com uma espécie de epifania. A resina translúcida transforma o espaço em um lugar de encontro, calor e reconhecimento.
Esse encadeamento cenográfico estrutura a leitura do projeto como uma experiência cinematográfica e editorial ao mesmo tempo.
4. O corpo como mediador
A modelo opera como dispositivo narrativo. É o corpo que mede o espaço, provoca o espaço e o interpreta.
A escolha de figurinos específicos para cada ambiente reforça essa lógica:
- Couro preto brilhante no Pavilhão Neblina;
- Alfaiataria desconstruída em vermelho e preto na passarela;
- peças de alta costura dialogando com a aspereza da Archke Store
- roupas azul-petróleo, contrastando com a luz âmbar na Galeria Âmbar
A relação entre corpo e arquitetura passa a ser estrutural. O corpo não está “dentro” da cena: ele é parte da cena.
5. Filme-conceito e montagem
O filme de aproximadamente três minutos foi estruturado como uma jornada sensorial. A câmera prioriza o espaço antes do corpo, o que ajuda a reforçar a ideia de que a arquitetura é o protagonista real da narrativa.
O ritmo muda conforme o ambiente: uma materialidade ancestral na abertura, delicado e material na loja, mais tenso e dinâmico na passarela e silencioso e íntimo na galeria final.
A trilha sonora e o sound design acompanham esse percurso com discrição e intenção. Nada aqui tenta chamar mais atenção do que deveria. O som existe para sustentar a atmosfera, sem disputar com ela.
6. Identidade visual e sistema editorial
A identidade gráfica reforça o mesmo pensamento. O monograma RS, a escolha tipográfica, a paleta restrita e os módulos visuais criam uma marca que parece consistente com o universo construído. Não há ruído, nem excesso ornamental gratuito. A estrutura tenta refletir a mesma disciplina do personagem.