O processo começou como qualquer bom projeto de arquitetura: com imersão profunda. Passei horas conversando com Caio, Luan e Valdemar — entendendo não apenas o que eles fazem, mas por que fazem e como chegaram até aqui. Analisei projetos arquitetônicos anteriores, referencias visuais que admiravam, e principalmente, ouvi as histórias de exclusão e resistência que moldaram a filosofia do escritório.
Essa fase de pesquisa incluiu:
- Análise de concorrentes locais (a maioria com identidades genéricas, sem personalidade)
- Estudo de referências do modernismo brasileiro (Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, Severiano Porto)
- Mapeamento de materiais e texturas que definem a linguagem projetual do Nó (concreto, madeira, muxarabi, vegetação tropical)
- Entrevistas individuais com cada sócio para entender suas trajetórias e valores
Com o briefing consolidado, parti para a concepção do símbolo. Como todo arquiteto, iniciei o processo no papel. Croquis à mão, explorando diferentes formas de entrelaçar as letras N, O e o acento. Testei geometrias rígidas, formas mais orgânicas, proporções variadas. Foi um processo iterativo, quase como estudar volumetrias em um anteprojeto.
Os melhores conceitos foram digitalizados e refinados no Figma. Aqui, a precisão técnica entrou em cena: ajustes milimétricos de kerning, proporções matemáticas entre os elementos, testes de legibilidade em diferentes tamanhos. O símbolo precisava funcionar tanto em um capacete de obra quanto em um cartão de visitas de luxo.
Paralelamente, desenvolvi a paleta de cores e a hierarquia tipográfica. Cada decisão foi justificada: por que verde musgo e não verde bandeira? Por que Instrument Sans e não outra grotesca moderna? A resposta sempre voltava ao conceito: brasilidade crítica, simplicidade eficaz, técnica impecável.
Com a identidade aprovada, parti para as aplicações visuais. Criei mockups hiper-realistas mostrando a marca em contextos do dia a dia do escritório: crachá em obra, manual de marca sobre uma mesa com amostras de material, cartões em uma reunião com cliente. O objetivo era que os sócios vissem a marca vivendo, não apenas como arquivos vetoriais.
Um desafio técnico importante foi garantir autonomia operacional. Os três arquitetos têm obras rolando, reuniões com clientes, visitas a canteiros — não têm tempo de abrir o Illustrator toda vez que precisam postar no Instagram. Por isso, além de criar a identidade no Figma (garantindo precisão técnica), transportei e configurei todos os templates no Canva. Criei um sistema visual onde eles apenas trocam a foto e o texto, e o post continua elegante. Isso é Service Design: pensar na rotina de quem vai usar a marca.
O manual de marca foi estruturado como um projeto editorial, e não apenas um PDF burocrático. Cada página foi desenhada com a mesma atenção visual que uma prancha de apresentação arquitetônica. O resultado é um documento que os sócios têm orgulho de mostrar para clientes e fornecedores.