Por que seu portfólio digital parece aquela casa que nunca fica pronta

Portfólio digital para arquitetos

Por que seu portfólio digital parece aquela casa que nunca fica pronta

Você já entrou no site de um colega arquiteto e pensou “que desperdício”? Projeto incrível, foto com resolução de câmera de porteiro eletrônico, descrição tipo “Residência unifamiliar – 2023”. Pronto. É como ver uma casa com estrutura impecável, mas sem reboco, com fiação exposta e porta de compensado.

Agora vem a parte que dói: o seu provavelmente também está assim. Ou pior: você nem tem um.

Olha, eu podia começar esse texto com aquele mantra de “o mercado mudou, quem não está no digital morreu”. Mas você já sabe disso. Todo mundo sabe disso. A questão não é se você precisa de um portfólio digital. É: por que raios o seu está meio largado? Ou por que você ainda não fez um direito?!

A resposta geralmente é uma mistura de procrastinação, perfeccionismo paralisante e, convenhamos, um certo desprezo pelo digital. “Meu trabalho fala por si”, você pensa. Lindo. Mas o cliente não está mais batendo na sua porta. Ele está no Google, às 23h, de pijama, procurando “arquiteto em [sua cidade]”. E adivinha? Ele não te achou. Achou o cara que tem um site — mesmo que seja um WordPress vagabundo feito em 2019.

A dura realidade é que portfólio digital não é luxo, mas é uma nova condicionante para seu escritório: sem ela, você simplesmente não existe no terreno onde o jogo acontece.

A diferença entre existir e estar presente

Ter Instagram com foto de obra mal enquadrada não é “estar no digital”. É só… estar. Como aquele prédio abandonado no centro que tecnicamente existe, mas ninguém entra.

Vamos ser honestos: a maioria dos arquitetos trata presença digital como obrigação chata. Então posta uma foto de render no Behance, coloca três projetos no Instagram (sendo que dois são do TCC), e pronto: “estou na internet”.

Não, você não está. Você está ocupando espaço digital, que é bem diferente.

Estar presente significa que quando alguém te procura, encontra. E quando encontra, vê algo que faz sentido, que conta uma história, que passa confiança. Não um feed bagunçado, uma bio genérica tipo “Arquiteto | Designer | Amante da vida” (pelo amor de Niemeyer, não), ou um Behance que você abandonou em 2021.

A presença digital de verdade é como uma boa implantação: responde ao contexto, tem fluxo claro, aproveita o melhor de cada terreno (plataforma). Instagram é vitrine, Behance é galeria, LinkedIn é networking. Mas nenhum deles substitui o seu próprio site.

Por que você precisa de um site próprio (e não, Instagram não conta)

Aqui vai uma verdade que ninguém fala: plataformas de terceiros são terrenos alugados. Você constrói ali, mas não é dono. O algoritmo muda, suas regras mudam, seu alcance cai, sua conta pode ser suspensa por qualquer besteira.

Nesse sentido, seria como investir anos construindo um casarão lindo… num terreno que não é seu.

Um site no seu domínio (seunome.com.br) é o terreno que você comprou. ou seja: você decide a arquitetura, o programa, a circulação, o acabamento. Não tem marqueteiro do Instagram dizendo que agora você precisa fazer Reels dançando pra ter alcance. Não tem algoritmo escondendo seu trabalho porque você não pagou anúncio.

Além disso, tem a questão da credibilidade. Pensa comigo: você contrataria um arquiteto que não tem escritório, nem telefone fixo, nem placa na porta? Só um celular e um perfil no Instagram? Talvez, se for muito barato. Mas se você quer ser visto como profissional sério, precisa de estrutura séria.

Site próprio é isso. É dizer: “Eu investi no meu negócio. Eu tô aqui pra ficar. E eu controlo a narrativa.”

O planejamento que você ignora (e depois se complica)

Sabe qual é o erro mais comum? Arquiteto decide fazer um site e já sai escolhendo template no WordPress, subindo foto, escrevendo texto correndo. É igual começar a construir sem projeto executivo. Logo vai dar problema.

Antes de abrir o Elementor ou contratar alguém, você precisa responder:

1. Pra quem você está projetando esse portfólio?

Não é “pra todo mundo”. Até porque isso não existe. Você quer clientes de alto padrão? Ou empresas? Reformas residenciais? Cada público pede uma linguagem diferente, uma seleção de projetos diferente, até um design diferente.

Se você quer projetos comerciais corporativos, não adianta encher o site de casas charmosas com telhado colonial. Ou, se quiser residências de luxo, não vá colocar aquele projeto popular que você fez de favor pro tio.

2. Qual é o seu objetivo real?

“Atrair clientes” é vago demais. Você quer leads diretos? Quer se posicionar como especialista pra dar palestras? Quer mostrar portfólio pra concorrer a concursos? Cada objetivo muda tudo.

E outra: se você não sabe responder isso, pause. Porque sem direção clara, você vai construir um site genérico, que não serve pra nada.

Curadoria, não acumulação

Aqui vem o conselho que mais dói: você não precisa colocar todos os seus projetos. Na verdade, você não deve colocar todos.

Pense no seu portfólio como uma exposição de arte. Ou seja, o curador não enche a galeria com todas as obras do artista. Pelo contrário: ele seleciona as melhores, as que contam a história que ele ou sua marca quer contar, as que dialogam entre si.

Você precisa fazer o mesmo.

Critérios pra selecionar projetos:

  • Representa o trabalho que você quer fazer no futuro? Se você odeia fazer sobrado popular, tira do portfólio. Simples assim.
  • Tem qualidade visual decente? Foto ruim, render mal renderizado, planta sem diagramação — fora. Melhor ter 5 projetos bem apresentados que 20 mal apresentados.
  • Demonstra alguma expertise específica? Resolveu um problema complexo de terreno? Inovinou numa solução sustentável? Isso é conteúdo.

Menos é mais. Sempre foi. Principalmente no digital, onde a atenção é menor que o pé-direito de kitnet.

WordPress + Elementor (ou como ter controle criativo sem virar programador)

Vou ser direto: WordPress com Elementor é a melhor escolha pra arquiteto que quer site profissional sem depender de desenvolvedor pra cada vírgula.

O WordPress é a plataforma de conteúdo mais usada do mundo. Open-source, com infinitas possibilidades de expansão, excelente pra SEO (Google adora), e você é dono do seu conteúdo. Logo não está à mercê de plataforma que pode fechar ou mudar de política.

Já o Elementor é um construtor visual — pensa nele como um SketchUp pra web. Você arrasta, solta, ajusta, vê tudo em tempo real. Nada de código. Perfeito pra quem pensa visualmente (como… arquitetos).

Juntos, eles te dão autonomia criativa + controle técnico + independência. Você consegue criar um layout único, do jeito que imaginou, sem depender de template travado ou de freelancer que cobra R$ 300 pra mudar uma cor. Este site, por exemplo, foi feito usando estas ferramentas.

Claro, dá trabalho aprender. Mas é como aprender Revit: no começo é chato, mas depois você não vive sem.

Behance, Instagram e companhia: coadjuvantes, não protagonistas

Behance, Dribbble, Instagram — tudo isso é válido. São ótimas plataformas pra exposição, networking, até pra testar se um projeto vai gerar engajamento.

Mas elas são coadjuvantes. Pensa nelas como um outdoor bem posicionado: chama atenção, direciona o tráfego, mas quem fecha o negócio é o escritório (o site).

Limitações dessas plataformas:

  • Você não controla o design, a experiência, o fluxo.
  • Tá competindo lado a lado com milhares de outros profissionais — a atenção é dispersa.
  • Zero controle sobre SEO e dados dos visitantes.
  • Dependência total das regras deles (e dos humores do algoritmo).

Use-as como satélites do seu site principal. Poste lá, mas sempre com link pro seu domínio. A ideia é: eles te descobrem no Instagram, mas te contratam depois de visitar seu site.

A primeira impressão que você tem 3 segundos pra dar

A home do seu site é a fachada do escritório. Tem literalmente 3 segundos pra convencer o visitante a ficar.

Se ele abre e vê um carrossel genérico com fotos aleatórias, texto enorme tipo “Bem-vindo ao nosso site” e menu confuso — ele fecha. E não volta.

O que a home precisa responder em 3 segundos:

  1. Quem você é – Nome ou nome do escritório, bem visível.
  2. O que você faz – “Arquitetura residencial de alto padrão” é melhor que “Soluções criativas em arquitetura”.
  3. Pra quem você faz – Cliente corporativo? Residencial? Sustentável?
  4. Por que ele deveria se importar – Seu diferencial. Pode ser estilo, expertise técnica, foco em acessibilidade… algo.

E por favor: uma imagem de destaque impactante. Não genérica. Não de banco de imagens. Sua melhor foto ou render. A que faz o visitante pensar “nossa, que projeto”.

Navegação precisa ser intuitiva. Três cliques pra qualquer lugar importante. Se o cara precisa caçar o botão de contato, você falhou.

Galeria de projetos: conte histórias, não só mostre fotos

A galeria de projetos é a alma do portfólio. Mas a maioria trata como um Instagram com esteróides: foto, foto, foto, fim.

Isso é desperdício.

Cada projeto deve ser uma narrativa. Contexto → Desafio → Processo → Solução. Tipo um estudo de caso, mas sem o tédio corporativo.

Estrutura básica de uma página de projeto:

  • Título descritivo – “Residência X: casa moderna com estratégias passivas de ventilação” é infinitamente melhor que “Casa X”.
  • Contexto e desafio – Qual era o problema? Terreno irregular? Cliente com necessidades específicas? Orçamento apertado?
  • Processo – Mostre esboços, plantas, maquetes, renders. Isso humaniza o trabalho e mostra que você pensa antes de executar.
  • Solução e resultados – O que você entregou? Como isso impactou o cliente? Fotos finais de alta qualidade, antes e depois se tiver.
  • Detalhes técnicos – Área, localização (se puder), ano, materiais principais. Ajuda no SEO também.
  • Depoimento do cliente (se rolar) – Credibilidade instantânea.

E organização: permita filtrar projetos por tipo (residencial, comercial), estilo (moderno, clássico), programa. Facilita pro visitante achar exatamente o que ele procura.

Página “Sobre”: mostre que você é humano (e competente)

A página “Sobre” não é currículo. É conexão.

Nem sempre a pessoa irá querer ler: “Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade X em 2015. Especialização em Y. Experiência em Z.” Isso é LinkedIn. E é chato pra caramba.

O que funciona:

  • Sua história real – Como você virou arquiteto? O que te move? Pode ser pessoal, mas sem drama novelístico.
  • Sua filosofia de trabalho – O que você valoriza? Sustentabilidade? Funcionalidade extrema? Estética minimalista? Respeito ao contexto?
  • O que te diferencia – Pode ser abordagem técnica, processo colaborativo com o cliente, linguagem projetual e até mesmo sua identidade visual, sei lá. Mas tem que ser genuíno.
  • Foto profissional – Sua, ou da equipe se tiver. Rosto gera confiança. E não, foto de avatar ilustrado não conta.

Escreve como se tivesse tomando um café com o cliente. Sem formalidade excessiva, mas também sem desespero de agradar. Seja você: é o único diferencial que ninguém consegue copiar.

Blog: a ferramenta mais subestimada (e poderosa) que existe

Vou te contar um segredo que o mercado de “marketing digital” não gosta de admitir: blog ainda funciona. E funciona muito.

Por quê? Porque é a forma mais eficiente de:

  1. Ser encontrado no Google – Cada artigo é uma nova porta de entrada pro seu site.
  2. Construir autoridade – Você deixa de ser “mais um arquiteto” e vira “o arquiteto que entende do assunto X”.
  3. Educar o cliente – E cliente educado é cliente que valoriza seu trabalho e paga o que vale.

Tipos de conteúdo que funcionam:

  • Análises críticas – “Por que aquele prédio famoso é superestimado”
  • Dicas práticas – “Como escolher piso sem cair em cilada de vendedor”
  • Estudos de caso detalhados – Pega um projeto seu e destrincha: problema, solução, aprendizados.
  • Opiniões sobre o mercado – “O fetiche por minimalismo está matando a personalidade dos projetos”

Escreve como você fala. Sem terrorismo de SEO (sem aquelas regrinhas inventadas de repetir a palavra-chave 50 vezes, por exemplo). Google hoje é inteligente o suficiente pra entender contexto.

E ó: não precisa postar todo dia. Inclusive, um artigo bom por mês é melhor que quatro ruins por semana. Sim, a lógica da qualidade ao invés de quantidade vale por aqui também.

SEO pra quem odeia marketês (guia rápido e sem enrolação)

SEO (Search Engine Optimization) é a arte de fazer o Google lhe amar. E não, não é mágica nem manipulação. É clareza e relevância.

O que importa de verdade:

1. Títulos e descrições com palavras-chave naturais

Em vez de “Projeto Casa X”, use “Projeto de casa moderna em Alphaville com soluções de eficiência energética”.

Isso porque é assim que o cliente pesquisa. Já que ninguém digita “Casa X” no Google. A menos ser que seja outro arquiteto.

Meta descrição é aquele texto que aparece abaixo do título no Google. Escreva algo persuasivo, com palavra-chave, em até 155 caracteres. Por exemplo: “Conheça o projeto completo da Residência Y, com design contemporâneo e foco em sustentabilidade. Entre em contato com nosso escritório.”

URLs descritivasseusite.com.br/projetos/casa-moderna-alphaville é melhor que seusite.com.br/?p=123.

2. Imagens otimizadas (sem travar o site)

Foto de alta resolução é linda. Mas se pesa 15MB, seu site vai carregar em 2030. Use ferramentas de compressão (TinyPNG, Squoosh) pra reduzir sem perder qualidade.

Nome do arquivo – Troca IMG_001.jpg por casa-moderna-alphaville-fachada.jpg.

Texto alternativo (Alt Text) – Descreve a imagem. Ex: “Fachada de casa moderna em Alphaville com piscina e paisagismo”. Google lê isso. E ajuda acessibilidade pra quem usa leitor de tela.

3. Conteúdo que responde perguntas reais

Google prioriza sites que respondem o que o usuário quer saber. Então se você escreve um artigo sobre “como escolher arquiteto”, e o texto é útil, bem estruturado, sem enrolação — você sobe no ranking.

Links internos também ajudam: contecte seus projetos com os artigos do blog, e vice-versa. Desse modo, você mostra pro Google que seu site tem estrutura, profundidade.

Backlinks (quando outros sites linkam pra você) são ouro. Então participe de entrevistas, escreva guest posts pra blogs de design, apareça em revistas do setor. Cada link é um voto de confiança.

Manutenção: por que seu site não é um monumento pronto

Site não é obra entregue. É organismo vivo. Ou seja, se você deixar ele parado 2 anos, ele morre. Fica desatualizado, irrelevante, esquecido.

O que fazer:

  • Adicione projetos novos regularmente – Assim que concluir e fotografar (bem fotografado, por favor), coloca no portfólio.
  • Remova projetos velhos ou que não te representam mais – Se aquele projeto de 2015 com estética anos 2000 não é mais o que você faz, tira. Sem dó.
  • Atualize textos – Sua abordagem mudou? Seu foco de atuação mudou? Então busque refletir isso no site.
  • Acompanhe os números – Google Analytics te mostra: quantas pessoas visitam, de onde vêm, quais páginas mais acessam, quanto tempo ficam. Isso é inteligência de mercado de graça. Usa.
  • Mantenha o website atualizado – atualize plugins, verifique se os códigos estão funcionando corretamente, ou se não houve problemas após uma atualização do sistema ou da hospedagem. É preciso ficar de olho, para evitar ruídos de comunicação com seu futuro cliente.

O Google Search Console mostra quais palavras-chave estão lhe trazendo tráfego. Inclusive, se você descobre que muita gente encontra você por “reforma de apartamento pequeno”, talvez seja hora de criar conteúdo sobre isso.

E adapte. Teste. Melhore. Isso nunca acaba.

O que eu NÃO vou lhe vender

Olha, eu podia terminar esse texto te prometendo que um portfólio digital sensacional vai viralizar sua carreira e trazer 50 clientes por mês.

Mas seria mentira.

O que um bom portfólio faz é posicionar você de forma profissional. Ele te torna visível, acessível, confiável. Desse modo, ele facilita que o cliente certo encontre e escolha vocÊ.

Consequentemente, o restante se torna trabalho consistente: é o boca-a-boca, o projeto bem feito gerando indicação. É um pouco de sorte, timing, contexto econômico também entra.

Quem vende milagre digital pra arquiteto ou tá mentindo, ou nunca trabalhou com arquiteto de verdade.

Por fim…

Se você chegou até aqui, obrigado pela companhia. Espero que esse texto tenha sido útil — ou pelo menos tenha te feito pensar um pouco sobre como você se apresenta no digital.

Olha, eu sei que lidar com site, SEO, portfólio e toda essa parafernália pode parecer distante do que você realmente gosta de fazer. Inclusive, você virou arquiteto pra projetar, não pra ficar mexendo em WordPress ou pensando em “palavra-chave”. Eu entendo. Passei por isso também.

Mas a verdade é que a internet, hoje, é parte do nosso terreno de atuação. Assim, como todo bom projeto, ela merece ser pensada com cuidado, estratégia e um pouco de carinho. Não precisa ser perfeito. Precisa ser genuíno, funcional e, acima de tudo, seu.

Se você olhou pro seu portfólio (ou pro vazio onde ele deveria estar) e pensou “poxa, preciso organizar isso”, fico feliz. Se sentir que precisa de uma mão pra estruturar tudo isso de forma que faça sentido pro seu trabalho e pro seu público, pode me chamar. Vamos tomar um café (virtual ou presencial) e conversar sem roteiro pronto, sem proposta decorada. Só uma conversa honesta de quem entende as duas pontas: arquitetura e digital.

No fim, o portfólio é só ferramenta. Mas o que faz diferença mesmo é o seu trabalho, sua visão, sua capacidade de resolver problemas reais de gente real. O portfólio só garante que as pessoas encontrem você — e que, quando encontrarem, queiram ficar!

Foto de Gabriel Nery Prata

Gabriel Nery Prata

Arquiteto urbanista, professor universitário, webdesigner e editor de vídeos.

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