BloG

Gabs

Por que a sua próxima contratação deveria ser um arquiteto

Por que a sua próxima contratação deveria ser um arquiteto

Você não estava esperando isso. Eu sei.

Você, pessoa que recruta, abriu a landing page esperando um designer com cinco anos de UI, portfólio cheio de mockups e um LinkedIn com recomendações genéricas de “profissional excepcional e inovador”. O que você encontrou foi um arquiteto, mestre pela USP, com MBA em gestão de projetos, quase uma década como professor universitário e passagem como perito judicial — que decidiu que o espaço mais interessante para construir agora é digital.

Eu entendo a hesitação. Também hesitei.

Mas aqui está o que aprendi nesse processo: quem vem de fora de uma área traz as perguntas que os especialistas do setor já pararam de fazer. E às vezes é exatamente essa pergunta que faltava.

O que essa formação significa na prática — nas três frentes

Se você chegou até aqui, já viu que meu trabalho abrange web design, identidade visual e edição de vídeo. O que talvez não esteja tão claro é por que uma formação em Arquitetura e Urbanismo produz resultados diferentes, e às vezes até melhores, em cada uma dessas três frentes.

No web design, sitemaps são plantas baixas. Arquitetura da informação não é metáfora no meu caso — é extensão direta do ofício. Assim, um site concebido com esse olhar funciona como um ambiente projetado para circulação inteligente: o usuário é guiado sem perceber que está sendo guiado. Cada seção tem função, cada fluxo tem lógica, e a experiência de navegação é tão natural quanto andar por um corredor bem projetado.

Na identidade visual, o repertório vem de outro lugar. Consumir apenas referências do próprio setor digital produz estéticas que envelhecem em seis meses porque nasceram do algoritmo. Meu repertório bebe do urbanismo, da volumetria e da história da arte. Isso resulta em marcas com uma maturidade estética que não depende de tendência para funcionar (e que não vai pedir uma revisão completa quando o Pantone anunciar a cor do ano).

Na edição de vídeo, a lógica estrutural vem antes do corte. Um vídeo institucional não é uma sequência de imagens bonitas com trilha. É narrativa com começo, meio e fim. É ritmo calculado, hierarquia de informação e propósito claro em cada segundo. O mesmo pensamento que organiza um projeto arquitetônico organiza um roteiro de vídeo. E o resultado aparece na tela.

Um case que demonstra tudo isso junto

O rebranding do escritório Sandro Menezes existe como prova disso: marca, site com quiz condicional e vídeos institucionais, tudo desenvolvido sob a mesma lógica estrutural, do início ao fim. Sem ruído de comunicação entre diferentes fornecedores. Sem inconsistência estética entre peças. Um ecossistema visual coerente porque saiu de uma cabeça só, com método.

Trata-se de uma consequência direta de uma formação que ensina a pensar sistemas antes de pensar peças.

O que o currículo não deixa óbvio — mas faz diferença no dia a dia

  • O método acadêmico elimina imprevisibilidade. Pesquisa, análise de viabilidade, cronograma, KPIs — meu processo de trabalho funciona assim porque projetar sempre funcionou assim. Não depende de inspiração. O projeto tem começo, meio e fim estabelecidos antes de qualquer execução.
  • Nove anos dando aula ensinam a comunicar sem condescendência. Eu prefiro explicar as escolhas de UX, HTML, CSS ou paleta de cores com clareza do que me esconder atrás de jargão técnico para parecer indispensável. Equipe e clientes acompanham o raciocínio — sem precisar confiar às cegas.
  • A experiência como perito judicial não é detalhe de currículo. Quem assina laudo para o Tribunal de Justiça entende o peso real da responsabilidade técnica. Um projeto entregue com inconsistência visual, links quebrados ou problemas de responsividade não é descuido criativo, mas negligência. O nível de revisão é literal e legalmente forense.
  • Autonomia sem necessidade de microgestão. Recebo o desafio, investigo as restrições de tecnologia, orçamento ou prazo, estruturo a solução e executo. Quem me contrata ganha um profissional assumindo responsabilidades — não alguém esperando instrução para cada etapa.
  • Imunidade ao que não presta. Uma formação analítica cria resistência natural a metodologias predatórias. Dark patterns, gatilhos de ansiedade e métricas de vaidade não me interessam. Minha lógica de trabalho mira em retenção e reputação de longo prazo. Ter alguém que questiona premissas superficiais é uma barreira de proteção para o negócio, não um obstáculo criativo.

A aposta consciente na diferença

No fim das contas, contratar alguém com essa trajetória é uma decisão estratégica de quem entende que equipes homogêneas produzem soluções homogêneas.

Isso porque o mercado digital já tem profissionais demais que cresceram dentro do mercado digital. Eles leram os mesmos blogs, fizeram os mesmos cursos e aprenderam a resolver problemas com as mesmas ferramentas. Não é uma crítica, mas é uma limitação estrutural de qualquer campo que se retroalimenta.

Um arquiteto que projetou espaços físicos antes de projetar espaços digitais traz um repertório que não está à venda em nenhum bootcamp. E o que esse repertório produz, o portfólio está ali para mostrar.

Portanto, se o perfil faz sentido para o que você está construindo, a conversa começa quando você quiser.

Foto de Gabriel Nery Prata

Gabriel Nery Prata

Arquiteto urbanista, professor universitário, webdesigner e editor de vídeos.

Assine nosso blog

E fique por dentro das novidades!

Usaremos seu contato apenas para enviar novidades. Sem spam, prometo. Seus dados estão seguros e você pode sair da lista quando quiser.

Vamos conversar!

Surgiu alguma dúvida sobre algum serviço? Tem sugestões de navegação ou comentários?
Preencha rapidinho aqui ao lado e retornarei o mais breve possível.

Usaremos seu contato apenas para comunicação. Sem spam, prometo. Seus dados estão seguros.